Ambiência Pedagógica: a importância do desemparedamento escolar

“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança

Provérbio Africano

 

O que chamamos de ‘Ambiência Pedagógica’ vai muito além do espaço físico, do que está ali colocado de forma intencional. A ambiência está presente através das mais diversas sensações como os cheiros, sentimentos, sons, as relações construídas, texturas, gostos e, sobretudo, da qualidade das relações que se estabelecem entre as pessoas e entre elas e estes estímulos; tudo que for experienciado constitui a ambiência pedagógica.

A ambiência pode e deve ser construída com as crianças e adolescentes e não para eles. Essa forma de olhar possibilita uma diferença significativa em relação ao pertencimento e envolvimento deles nesta experiência. É importante as escolas inverterem a quantidade de ambientes emparedados com a quantidade de ambientes desemparedados. A proposta então é usar cada vez mais os quintais presentes na instituição ou as praças/espaços presentes na comunidade.   Assim, o comportamento dos educadores, seus gestos e a qualidade de sua presença são fundamentais para transformar o ambiente físico em uma ambiência pedagógica significativa.

Este uso impacta não só as crianças e adolescentes, mas também o bairro, a cidade, porque os quintais não se restringem aos da escola, eles englobam ruas, calçadas, quadras e praças. Dessa forma, criamos oportunidade, enquanto instituição educacional, de oferecer referências diferentes, para que crianças e adolescentes queiram, desejem e acreditem que podem transformar este mundo.

As crianças e adolescentes necessitam vivenciar que o mundo é bom, belo e justo e assim ocupar o seu lugar dentro dele, como parte dele.

Os espaços escolares precisam proporcionar ambientes que abracem a natureza. O verde precisa fazer parte do dia a dia escolar, proporcionando prazer e estímulo para as crianças. Somente sair de sala não significa desemparedar, porque se o educador não vive internamente este desemparedamento, se sua relação com a natureza é superficial, as crianças e adolescentes continuarão emparedadas, mesmo em espaços abertos. 

Considerar o ambiente como ‘terceiro educador’, e o comportamento/gesto da educadora como grande dinamizador deste ambiente, é fundamental para compreender a importância de combinar essa condição física acolhedora e provocativa, com um comportamento significativo dessa educadora, criando assim uma ambiência habilitada para fortalecer o processo de aprendizagem.

Por: Isis Flora e Tião Guerra

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