Ler Histórias para revisitar e reinventar o mundo
Ler Histórias para Revisitar e Reinventar o Mundo

Sou Jéssica Castro! 🌿

Uma Contadora de Histórias que no ato de minhas leituras criativas, me inspiro a vida ao ver e acompanhar, as proposições de mundo, que as crianças constroem junto as suas recíprocas literárias. Eu percebo outras narrativas se gestarem e transbordarem o corpo e o seus espaços.

As Contações de Histórias desbravadas no universo das Infâncias, é um ato comunicativo e conectivo entre diversas narrativas epistemológicas do conhecimento. Estes conjuntos de saberes e experiências, podem ser encontrados nos livros e suas historicidades, linguagens, estratégias informativas, anseios, intenções e etc.E assim, narrarem contextos de naturezas identitárias, territoriais, emocionais, afetivas, de valores, de sociabilidades, de acessibilidades e tantas outras conexões certeiras de mundo. É incrível quando no ato da leitura criativa, cuidadosa e recíproca, é observado o movimento intenso da vida acontecer.

E acontece! 

Neste, ressalvo os comportamentos, as oralidades, os estados de atenção, reflexões, as apreensões, as acomodações, assimilações, os insights, as emoções, as memórias, as intervenções pautadas nos conhecimentos subjetivos de mundo e a admirável beleza do encontro do livro, com o espírito coletivo do grupo ouvinte e propositor.Sim! Pois as crianças, propositam um universo de ensinamentos neste momento epistémico.

Nosso potente referencial Paulo Freire nos comunica em um dos seus sábios pensamentos, a seguinte frase:

“A leitura do mundo, precede a leitura da palavra.”

É possível então, nas observações mais aguçadas das contadoras/es de histórias, captar as crianças escrevendo outros livros, do mesmo livro lido e dando ao mesmo sua Escrevivência (ref. Conceição Evaristo) e sua leitura de mundo.

Mas é preciso experiência pedagógica, para propor este cenário, em soma, sensibilidade, desejo, técnicas e estratégias atentas aos universos presentes, aos termômetros do grupo e desejo pessoal dos Contadores de Histórias em crer, neste momento, como uma pedagogia cheia de sabedoria e proposições de mundo.

E diante tudo e em tudo, a palavra, a leitura, a forma como se lê, o que se lê e o cuidado pelas recíprocas que o leitor nos traz, é um ato político, responsável e certeiro na formação íntegra deste indivíduo e de seus contextos!

Ressalvo então, uma reverência ao legado de Azoilda Loretto da Trindade, pesquisadora de temáticas da educação, nas perspectivas do antirracismo, e que nos deixara um legado de epistemologias, para se pensar e viver práticas pedagógicas nas infâncias que revisite e reinvente o mundo.

Sua construção, as perspectivas dos Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros, nós é base fundamental, por exemplo, para que eu, uma Contadora de Histórias, mulher negra, professora de crianças também negras e não negras, protagonize pelas minhas atuações, a luta contra o episteminicídio negro e pindorâmico recorrente ao longo da história brasileira.

E por meio destas bases, acionamos informações capazes de inclusive reconstruir os novos rumos de nossas historicidades.

E as novas leituras e escritas de mundo que desejamos.

Minhas Escrevivências na Rede Cruzada.

O meu caminho na Rede Cruzada, enquanto Arte-Educadora na Contação de Histórias, é uma Inspiração que também nasce dos referenciais de Conceição Evaristo e sua enegrecida identidade como escritora, educadora, poetiza e infinitudes mais. A mulher de um legado vivo e inspirador para a história da Literatura Negra Brasileira.

Ela, é uma Mulher Negra que nos é referência e nos dá base conjuntural para pensarmos, lermos e escrevivermos nossas práticas literárias em oralitudes as nossas construções indentitárias pessoais e coletivas. E por estas e mais inspirações enquanto arte-educadora que sou, vou assentando o passo das minhas Escrevivências, tal como minha forma de escrever, narrar e contar as histórias.

Nas minhas Pretagogias, os livros que narro, são bases, para convocar reflexões antirracistas, sobre empatias, sobre diversidades, sobre perspectivas de mundo, que revertam as lógicas opressores e no diálogo com o mundo das crianças, possam se transformar em mecanismos que propositem afetuosidades e reflexões de mundo, que instiguem, revelem, conectem, amem e transformem positivamente cenários.

No espaço físico e afetivo da Rede Cruzada, início minhas práticas pedindo licença as crianças e as educadoras do lugar. Quando chego, as turmas já se encontram em bonita expectativa pela surpresa que os livros, a bolsa cheia de elementos e a energia reveladora do nosso encontro, nos permitirá alcançar. As crianças me observam por inteira, ressalvam que sou bonita, princesa negra, que sentem saudades e que me amam.

As retribuo com o mesmo afeto e cuidado, e isto nos possibilita espaços seguros para nossas histórias fluírem. Sempre me abraçam e me lançam sorrisos de boas-vindas, e vezes, perguntam pelo livro e personagens já desbravados.

Ao chegar, assento meu simples e gigante cenário e abro os livros.

Nossa viajem segue se construindo pelo diálogo, pelo carinho, pelas intervenções múltiplas das crianças e pelas proposições das narrativas. As histórias seguem ativando despertamentos e ganham novos rumos, diante a identidade, o termômetro e situações pontuais que fluem no espaço. A intensidade das informações, criam uma esfera de afetos e reflexões sociais, que podem de certo mudar as tensões do mundo.

As crianças nos dão muito caminhos a serem seguidos! Ao mesmo tempo, com nossas maturações, partilhamos com elas, estratégias empíricas e físicas, para provocarmos mudanças positivas nos universos que as são.

Os elementos em diálogos, são boneques que levo, brinquedos que estão na sala, fitas, cortinas, folha do quintal, cabelos, janelas, o sol, o frio, ou seja, tudo que for algo possível visível e invisível, na solidez das intensões almejadas. Ao final, as crianças se tornaram muitas amigas dos personagens e desejam abraçar o livro, e ressoar palavras de gratidão e mensagens de satisfação pela narrativa mensageira.

Sempre os ressalvo, que os livros estão em todos os lugares, que todes podem ser Contadores de Histórias e que certas e tantos livros podem curar e transformar mundos.

O seu, o meu e o nosso!

Este livro é seu!

Este livro e meu!

Este livro é seu e meu!

Este livro é nosso!

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